Transcript
Agora, a seca de 58, essa eu não esqueço. Não choveu nada naquele ano, nada. O açude do cedro foi baixando, baixando, até virar lama rachada. A gente acordava de madrugada pra buscar água numa lata, na cabeça, e andava quase uma légua.
1958 · when
from “seca de 58” ·
Eu e a Graça. Teve vizinho que foi embora pro sul, num pau de arara, e nunca mais voltou. O meu pai dava fiado pra todo mundo na bodega, mesmo sabendo que ninguém ia poder pagar, né? A minha mãe dizia que ele ia falir de tanto coração.
E quase faliu mesmo. Eu acho que é isso por hoje, tá bom? Depois eu conto mais.
Written down by speech recognition. The recording is the original.
In this story
When
[childhood] · stage of life
inferred
About 10 years old in 1958, counted from the year of birth.
1958 · when
from “seca de 58”
Filed under
- Family
- Hard times
How to read the notes
- said
- Said in the recording, in these words.
- from the words
- Taken from what was said, like a year from “setenta e oito”.
- [inferred]
- In brackets: inferred by the archive. Not said in the recording.
From the same recording
1956, inferred by the archive, not said
Casa de taipa com mangueira grande
A minha irmã Graça ficava embaixo, morrendo de medo, dizendo que ia contar tudo pra mãe, e contou, viu?
Listen, 0:44childhood, inferred by the archive, not said
Bodega do pai com mercadorias
Rapadura, querosene, fomei de rolo, feijão.
Listen, 0:17
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1966, inferred by the archive, not said
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Listen, 1:08